Classificação O-RADS US v2022 e O-RADS RM para lesões ovarianas e anexiais. Poucos toques bastam, e só aparecem as perguntas que mudam o escore. Na RM, um gráfico de curva tempo-intensidade (DCE) define o tipo de curva a partir dos valores de sinal.
Tradução para o português do Brasil, incluindo o texto do laudo, que segue os modelos de laudo do ACR. Sugestões de terminologia são bem-vindas pelo botão “Enviar feedback” no fim da página.
Classifique cada lesão separadamente; a conduta segue a lesão de maior escore. Quando as características forem conflitantes, use a que der o escore mais alto.
Lado
Gráfico da curva tempo-intensidade (DCE)
Informe os valores de intensidade de sinal do tecido sólido, medidos em intervalo fixo, sendo o primeiro valor a linha de base pré-contraste. Acrescente a série do miométrio externo para separar risco intermediário de alto risco. Sem ela, só é possível definir uma curva de baixo risco (sem platô). A curva detectada é uma sugestão; confirme-a no gráfico.
Sem útero, sem referência. Plote apenas a lesão e avalie a forma da curva, não a inclinação:
Posicione a ROI na porção do tecido sólido que realça mais precocemente e parece mais sólida, evitando vasos e líquido cístico.
Registre o sinal na fase pré-contraste e em cada fase dinâmica, e informe esses valores acima.
Sem ombro (continua subindo até o fim): curva de baixo risco, O-RADS RM 3.
Ombro, seguido de platô ou washout: sem miométrio não é possível separar risco intermediário de alto risco. Laude como no mínimo O-RADS RM 4.
Sem DCE também não há como comparar em 30–40 s, por isso a sequência dinâmica é a que deve ser solicitada nessas pacientes.
lesãomiométrio
—
O-RADS
Achados
Impressão
Lado e tamanho vêm do topo do painel; o texto entre colchetes deve ser preenchido. Classifique cada lesão e depois adicione a próxima; o laudo as lista da mais para a menos preocupante.
Estratificação de risco
O-RADS
Categoria de risco
Malignidade
Conduta (habitual)
O ACR ainda não publicou recomendações de conduta para o O-RADS RM; a conduta fica a critério da equipe assistente.
Quando a RM ajuda após a ultrassonografia anexial?
A ultrassonografia é o exame inicial para uma lesão anexial. A RM é um exame de resolução de problemas: é mais específica para câncer, e por isso ajuda sobretudo ao mostrar que uma lesão preocupante na ultrassonografia é benigna. Uma lesão anexial sem realce na RM tem valor preditivo negativo para câncer acima de 98%.
Achado ultrassonográfico
O que a RM acrescenta
Lesão não totalmente visualizada (O-RADS US 0): lesão volumosa, gases intestinais, útero miomatoso
Mostra a lesão inteira e sua origem; cerca de 10% das lesões encaminhadas da ultrassonografia não são ovarianas.
Cisto unilocular não simples após a menopausa (O-RADS US 2)
Procura tecido sólido. A ausência de realce favorece o seguimento; tecido sólido com realce favorece o encaminhamento à ginecologia oncológica.
O-RADS US 3 ou 4
Muitas vezes reduz a categoria: em um estudo multicêntrico norte-americano, 68% das lesões O-RADS US 3 e 48% das O-RADS US 4 eram achados fisiológicos ou endometriomas. Tecido sólido com realce eleva a categoria.
O-RADS US 5, quando a cirurgia mudaria
Pacientes jovens, cirurgia com preservação da fertilidade ou candidata cirúrgica ruim: no mesmo estudo, 22% das lesões O-RADS US 5 eram achados fisiológicos ou endometriomas.
Sadowski EA, et al. O-RADS MRI after initial ultrasound for adnexal lesions: AJR Expert Panel Narrative Review. AJR 2023;220:6–15. Dados do estudo: Jha P, et al. JAMA Netw Open 2022;5:e2216370.
Repetir o US se a limitação puder ser superada; caso contrário, considerar RM
1 Ovário normal
0%
Nenhuma
2 Quase certamente benigno
<1%
Nenhuma, ou US de controle conforme o tipo e o tamanho do cisto (cisto simples >5 cm na pré-menopausa ou >3 cm na pós-menopausa: US em 12 meses)
3 Baixo risco
1 a <10%
Ginecologia; US em até 6 meses se não ressecado; RM (O-RADS RM) ou especialista em US para lesões sólidas
4 Risco intermediário
10 a <50%
Com participação da ginecologia oncológica; RM ou especialista em US para caracterização
5 Alto risco
≥50%
Encaminhar à ginecologia oncológica; exames conforme o protocolo da equipe
O-RADS RM
Categoria
VPP aproximado para malignidade
0 Avaliação incompleta
—
1 Ovários normais (sem lesão)
—
2 Quase certamente benigno
<0,5%
3 Baixo risco
~5%
4 Risco intermediário
~50%
5 Alto risco
~90%
US: Strachowski et al., Radiology 2023 (v2022, Tabela 2). RM: ACR O-RADS MRI Risk Stratification System, setembro de 2020; VPP por categoria de Thomassin-Naggara et al., JAMA Netw Open 2020. O ACR ainda não publicou recomendações de conduta para o O-RADS RM. Classifique cada lesão; a conduta segue a maior pontuação.
Fontes e observações
O-RADS US
Strachowski LM, et al. O-RADS US v2022: an update from the ACR O-RADS US Committee. Radiology 2023;308(3):e230685. doi:10.1148/radiol.230685
Andreotti RF, et al. O-RADS US risk stratification and management system: a consensus guideline from the ACR O-RADS Committee. Radiology 2020;294:168–185. Faixas de risco: 1 0%, 2 <1%, 3 1–<10%, 4 10–<50%, 5 ≥50%.
Jha P, et al. Diagnostic performance of the O-RADS ultrasound risk score in women in the United States. JAMA Netw Open 2022;5:e2216370.
ACR O-RADS MRI Risk Stratification System, September 2020, and O-RADS MR Lexicon, July 2021. ACR O-RADS MRI
ACR O-RADS MRI Assessment Categories (fevereiro de 2024), MRI Lexicon (revisado em outubro de 2023), MRI Report Template e Sample Reports (2023) e O-RADS US v2022 Report Template (2023). O texto do laudo nesta página segue esses modelos, traduzido para o português.
Sadowski EA, et al. O-RADS MRI risk stratification system: guide for assessing adnexal lesions from the ACR O-RADS Committee. Radiology 2022;303:35–47. doi:10.1148/radiol.204371
Thomassin-Naggara I, et al. O-RADS MRI score for risk stratification of sonographically indeterminate adnexal masses. JAMA Netw Open 2020;3(1):e1919896. VPP: 2 <0,5%, 3 ~5%, 4 ~50%, 5 ~90%.
Suarez-Weiss KE, et al. Practical tips for reporting adnexal lesions using O-RADS MRI. RadioGraphics 2023;43(7):e220142. doi:10.1148/rg.220142
Da ultrassonografia à RM, e estadiamento
Sadowski EA, et al. O-RADS MRI after initial ultrasound for adnexal lesions: AJR Expert Panel Narrative Review. AJR 2023;220:6–15. doi:10.2214/AJR.22.28084
Avesani G, et al. ESR Essentials: characterisation and staging of adnexal masses with MRI and CT, practice recommendations by ESUR. Eur Radiol 2024;34:7673–7689. doi:10.1007/s00330-024-10817-1
O texto de conduta segue o modelo de laudo O-RADS US v2022 do ACR. O ACR ainda não publicou recomendações de conduta para o O-RADS RM (Sadowski et al., Radiology 2022); ela fica a critério da equipe assistente.
Pressupõe paciente de risco habitual, sem sintomas agudos; o julgamento clínico prevalece. Cada lesão é classificada separadamente; a conduta segue a lesão de maior escore. Os percentuais de risco se aplicam à categoria como um todo, não a características isoladas.